NOVO LIVRO: CANTIGAS CAFUNDOLESAS PARA CANTAR CONTOS E OUTROS MOTES ENCANTATÓRIOS


Este é o meu 6º livro solo pela editora Nova Aliança (PI), um livro de cantigas ou de poemas cantados feito por muitas mãos e muitos corações (escritora, tradutor, ilustradora, diagramador, editor, percussionista, mixador).

O título do livro remete a um trava-língua - jogo de palavras que possui sílabas com sons parecidos - proveniente da cultura popular. Cantigas são composições populares transmitidas de geração em geração pela tradição oral, o que coaduna com o meu propósito para os textos Cafundoleses, oriundos de minha experiência com o Grupo Cafundó de Contadores de Histórias.

A ideia nasceu há alguns anos a partir do desejo de registrar num só lugar os textos criados e musicados para cantar e contar histórias, a fim de não se perderem no tempo. Confesso que foi difícil fazer a seleção dentre tantas cantigas, resultado destes quase 40 anos de contação de histórias.

    O livro é composto por 15 cantigas, dos mais diversos ritmos – cantigas de ninar, marchinhas, samba, raps –, intercaladas com pactos ficcionais, jogos de imaginação criativa, fórmulas de aquecimento e abertura de canais sensitivos e outros motes encantatórios ou facilitadores de devaneios epifânicos acionados pela imaginação como forma de aproximar o leitor-ouvinte da fantasia e do universo imaginário.

A concretização desse sonho se expandiu quando estive em África, mais especificamente, em Maputo (MZ), em junho de 2025, e conheci o escritor Mabjeca Tingana, que soprou em meus ouvidos a possibilidade de traduzir as cantigas deste livro – que estava em processo de construção –, para a língua XiChangana, uma das línguas originárias de Moçambique.

 Ao ler ou escutar um texto de outra cultura o leitor ampliará seus horizontes culturais o que contribui para a percepção de que há uma diversidade de línguas e possibilidades de interação entre os povos, uma forma de descolonizar o seu pensamento numa prática intercultural. Além disso, a presença/visibilidade de uma língua africana também colabora para a efetivação da Lei 10639/2023.

Destaco ainda no livro duas homenagens póstumas, a dois grandes contadores de histórias que se encantaram: Anna Miranda – companheira cafundolesa – e Elio Ferreira –, com as cantigas: Tema do Cafundó e Né Preto, respectivamente. A eles a minha mais sincera gratidão por terem espalhado aos quatro cantos os seus poemas cantantes.

Este é um livro musical-interativo destinado a infância de todas as pessoas, que permitem que ela aflore sempre, podendo também ser usado como instrumento pedagógico pelo professor, contador de histórias, mediador da leitura ou pela própria criança que poderá ler e ouvir as cantigas através do QR Code localizado abaixo de cada uma delas. Basta seguir o rastro da labigó (símbolo do grupo Cafundó), que levará o leitor de página em página, espalhando magia e fantasia!

As ilustrações são da piauiense Angela Rego e a capa é a logomarca do grupo Cafundó feita pela artista plástica, também piauiense, Liz Medeiros.

O lançamento-show oficial do livro Cantigas Cafundolesas para cantar contos e outros motes encantatórios aconteceu no palco da praça de eventos II, no Teresina Shopping, dentro da programação do Festival Artes de março, em março de 2026, onde cantei algumas das cantigas acompanhada de Tauana Queiroz (percussão) e Alcides Valeriano (violão).

   Agradeço a Editora Nova Aliança pela confiança, parceria e efetivação de mais um sonho poético. Gratidão, Leonardo Dias!

                                                                                                                                                                                              Márcia Evelin



















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